Normalmente mãe já sente culpa por tudo. Se a criança mama muito, se mama pouco, se
chora, se dorme pouco ou demais, enfim, esse desejo de atender todas as necessidades da
criança prontamente é algo corriqueiro, que acontece com muitas famílias. Mas será que esse
ímpeto de resolver o choro do bebê rapidamente não cria hábitos que depois são difíceis de
mudar?

Acordar muito de madrugada, ter o sono interrompido diversas vezes é muito difícil. Para uma
mãe que cuida de um bebê o dia todo ou precisa trabalhar no dia seguinte isso pode ser
devastador. Mas tem algo que assombra as madrugadas mal dormidas destas mães que
amamentam: se eu negar o peito, estou deixando meu bebê passar fome? Como avaliar?
No post de hoje, vou passar 3 dicas valiosas para que vocês identifiquem se o despertar do seu
bebê acontece por fome ou hábito. Na maioria das vezes, se a criança acorda muito de
madrugada, é sim por hábito, e não por fome.

– A primeira dica é entender os intervalos de fome do seu filho. Se é uma criança que mama de
3 em 3 horas durante o dia, tem mais de 4 meses e está ganhando peso e se desenvolvendo
adequadamente, o intervalo das mamadas de madrugada pode ser de 3 horas ou mais! Se o
seu filho mama mais de madrugada do que de dia, ele certamente está usando o mamar como
um conforto para manter o sono. Neste caso, tente manter um intervalo de 3 ou 4 horas e nos
outros despertares atenda o seu bebê com carinho e conforto, não com o seio.

– Perceba a forma como seu filho adormece. Se ele precisa mamar até dormir no começo da
noite, chances são de ele precisar do peito de madrugada só para adormecer em eventuais
despertares. Alguns despertares são comuns (exemplo: 00h, 02h, 04h e 05h da manhã) e
nestes despertares a criança precisa mamar. Comece a colocar o seu bebê acordado no berço
e esse padrão certamente vai alterar!

– Outra dica importante: o tempo da mamada. Todas as crianças têm um ritmo e certamente
você sabe qual é o do seu filho. Se ele ficar “mamindo”, ou seja, de dia mama em 20 minutos e
de madrugada fica 1 hora mamando e dormindo ao mesmo tempo, algo está errado. Se isso
acontecer, tire o peito da boquinha da criança assim que a sucção diminuir, assim ele terá que
se confortar de outra forma para continuar dormindo. Ele pode reclamar no início, mas depois
de um tempo de tentativa, ele acabará aceitando.

Apesar de existirem outras associações de sono como colo ou chupeta, esta de precisar mamar
para manter o sono é a mais comum. Isso acontece porque grande parte das mães resolve a
necessidade da criança sempre alimentando. Obviamente o peito é um local de conforto, de
aconchego e muitas vezes é o caminho mais rápido para a criança voltar a dormir. Apesar
disso, algumas crianças chegam a precisar desse conforto 6, 7, 8x por noite para manter o
sono, deixando a mãe completamente exausta.

Aprender a dormir não é sinônimo de desmame, nem de deixar chorando até dormir por
exaustão. Dá para ensinar um bebê a dormir sem mamar e desenvolver outras ferramentas de
conforto que irão auxiliar demais a ligar os ciclos de sono. Lembre sempre que a criança tem
despertares frequentes de madrugada. Isso faz parte do seu desenvolvimento e uma
aprendizagem de sono envolve ensinar o que a criança deve fazer nestes despertares, e não
fazer com que ela não acorde. Por isso, não é por fome que um bebê acorda diversas vezes.

Com paciência e uma reflexão sobre os hábitos da criança, você vai conseguir detectar se seu
filho precisa mamar ou se ele tem dificuldade no sono.

Ensinar uma criança a dormir pode dar muito trabalho, mas os resultados no desenvolvimento
e crescimento dessa criança são excelentes, além de algo muito importante também – o
descanso de toda família.

Recebi um convite muito especial da Nathalia para falar aqui com as leitoras do Coisas que
Amamos sobre o sono do bebê, que é um desafio para muitas famílias, especialmente quando
as crianças tem de 0 a 24 meses.

Então nesse post quero deixar 10 dicas que podem ajudar demais no sono das crianças.
Muitas delas são “batidas”, mas eu trabalho com isso há 5 anos e vejo que nem sempre o que
é as pessoas praticam o que se ouve (mesmo que repetidas vezes), ou seja, o senso comum,
muitas vezes não é a prática comum. Então, que tal tentar?

  • Tenha uma rotina. Eu sei que muitas pessoas não querem ficar escravas do relógio, mas
    crianças precisam de uma rotina. Uma quebra ou outra no fim de semana não deve prejudicar muito o sono do seu bebê, mas no dia a dia, a criança precisa ter horário para acordar, fazer atividades, ter seu tempo de higiene, comer, fazer sonecas e ter hora para dormir. Se você é de uma família que não gosta muito de ter horário para tudo, tenha uma regularidade, ou seja, a rotina vai seguir de acordo com o horário que a criança acorda, ao invés de seguir o relógio.
  • Tenha um ritual de sono consistente. A criança precisa entender que a hora do sono chegou. Então todos os dias, antes de dormir, faça sempre as mesmas coisas com ela. Estas coisas devem ser atividades em que a criança interaja com a mãe, pai ou cuidador. Exemplo: banho, massagem, troca, história, limpeza de boquinha, oração, boa noite para os brinquedos e cama. A sequência deve ser sempre a mesma, assim a criança chegará na hora de dormir muito mais calma e relaxada para entrar no sono.
  • Verifique sempre se o sono do dia está adequado. Dormir pouco durante o dia é ruim para a criança, porque ela vai chegar muito cansada no fim do dia, pode produzir cortisol (hormônio de vigília para se manter acordada) e será mais resistente para entrar no sono. Porém se a criança dormir demais durante o dia, ela também não estará cansada o suficiente e portanto não estará preparada para dormir. Então pense na idade do seu filho e quantas sonecas por dia são necessárias para a idade dele.
  • Preste muita atenção ao tempo que o bebê fica acordado. Se a criança começa a apresentar sinais de sono 2 horas depois que ela acorda, provavelmente essa é a janela adequada para você ter durante o dia. Segurar a criança acordada a qualquer custo para que ela durma melhor é um caminho inverso para alcançar esse objetivo. Uma criança muito cansada e estressada pode entrar em efeito vulcânico, ou seja, ela não vai dormir e ficará extremamente irritada, o que irá prejudicar ainda mais a entrada no sono. Respeite sempre o tempo que seu filho consegue ficar acordado.
  • Fique atenta à luminosidade e barulho. Algumas crianças conseguem dormir em qualquer ambiente, é verdade. Entretanto muitas outras precisam estar em um ambiente adequado para o sono, ou seja, livre de luz e com pouco ou nenhum barulho. Se seu filho não consegue dormir, verifique estes pontos e deixe o ambiente o mais escuro possível. Se você morar em um lugar barulhento, tente colocar um ruído branco para abafar os sons externos.

  • Cuidado com a exposição da criança aos eletrônicos. Se seu filho gosta de ver desenhos, o ideal é que os aparelhos eletrônicos sejam desligados pelo menos 1 hora antes do sono. Não recomendo usar TV, Ipad, celular ou qualquer outro aparelho dentro do ritual de sono porque a luz azul que sai desses aparelhos pode antagonizar os efeitos da melatonina (hormônio do sono).
  • Tome cuidado com as formas de acalmar seu filho. Crianças não choram por um único motivo, então se seu filho não dorme e chora muito, algo está errado. Procure verificar os horários, quando comeu (pode ser fome), se há algo incomodando (se ele se contorce), se a fralda está suja ou se pode existir algum motivo para o choro. Lembre que as associações de sono são geralmente criadas quando a criança é acalentada sempre da mesma maneira. Um bom exemplo são as crianças que são acalentadas no peito em todas as situações, mesmo as que estão alimentadas (que mamaram em um intervalo curto). Neste caso, a criança pode precisar do seio diversas vezes a noite, apenas para relaxar. O mesmo pode acontecer com o colo ou com a chupeta.
  • Fique de olho na temperatura. Se o bebê estiver com frio ou calor, esse certamente será um motivo para atrapalhar o sono. Lembramos que para bebês pequenos, até um ano, a temperatura deve ser regulada por roupas e não com cobertores.
  • Visite regularmente o pediatra. Uma dificuldade comportamental com o sono é bastante comum. Mais de 90% dos problemas de sono das crianças são comportamentais, mas existem alguns fatores fisiológicos como apneia, sonambulismo, terror noturno, síndrome das pernas inquietas, alergias alimentares, deficiência de ferro entre outros, que podem prejudicar o sono da criança. O acompanhamento do médico é essencial para você entender a dificuldade da criança e atender a necessidade exata do seu filho.
  • Por fim, nossa dica mais valiosa – ensine seu filho a dormir sozinho! É muito importante que a partir dos 4 meses, os pais comecem um processo para ensinar o bebê a dormir sem ajuda. Uma criança que entra no sono sozinha, tem certamente muito mais qualidade de sono na madrugada e nas sonecas do que a que precisa ter seu sono induzido de alguma forma. Você pode começar devagar, diminuindo os estímulos, fazendo mudanças semanais, mas tente colocar seu filho sonolento no berço e parar de fazer a “parte dele” para entrar no sono. Na tentativa de ajudar, os pais acabam bloqueando uma oportunidade de a criança desenvolver habilidades de auto conforto, e isso faz com que ela precise de auxílio de madrugada para manter o sono. Existem diversos métodos de aprendizagem. Você pode escolher um que seja adequado para sua família e seguir o plano. Isso fará bem para o sono da criança e para o descanso adequado de toda família!

Obrigada Michele! Amei o post e acho sim que ele vai ajudar muita gente, assim como me ajudou e ajudou a Victoria! =) Quem quiser saber um pouco mais da minha experiência do sono com a Victoria, contei como foi o início do treinamento lá nos destaques do Instagram!

Fotos: Nanda Castello Fotografia