Desde que eu comecei a postar sobre as comidinhas que a Vic tem comido, muita gente está me perguntando sobre a introdução alimentar dela. Como eu estou fazendo, se tive alguma orientação, se está dando certo… então, resolvi fazer um post e contar aqui como tem sido a nossa experiência com o assunto alimentação.

Bom, Victoria mama no peito do dia em que nasceu, até hoje. Mesmo com o início da introdução ela segue mamando e assim ficaremos enquanto for bom pra ela e pra mim. Sem pressão, sem pressa e sem cobranças.

(Deixo ela segurar a colher – sob supervisão – sempre que acaba de comer assim
ela brinca e conhece o utensílio.)

Resolvi começar a introdução alimentar 5 dias antes dela completar 6 meses, depois que voltei dos Estados Unidos. Já tinha conversado com o pediatra e ele tinha dado o aval e quando a data foi chegando, me consultei com uma nutricionista especialista em introdução alimentar e alimentação de gestante, bebe e criança para pedir uma orientação mais específica.

Li muito sobre o assunto, acho que quem já me conhece por aqui há algum tempo sabe, que sou meio nerd nesse sentido. Gosto de estudar, ler e entender mais as coisas que vão acontecer. Então, sabia que a introdução alimentar seria uma fase nova e quis me preparar para ela, mas o que acabou acontecendo foi que de tanto que eu li, acabei ficando mais confusa. Era BLW pra cá, introdução tradicional pra lá… acabei que defini mentalmente mais ou menos o que eu queria fazer e a “linha” que eu queria seguir e fui procurar uma pessoa para avaliar se a minha ideia estava correta e coerente, com os meus pensamentos.

Eu sabia que não queria dar 100% de fruta no início da introdução, por que o docinho é muito mais fácil de ser aceito. Sabia também que apesar de achar o BLW lindo, sou meio medrosa e não ia ter coragem de deixar a Vic comer totalmente sozinha. Então, optei por fazer um mix desses dois e colocar um pouquinho do que eu li em prática.

A nutri me indicou que começasse com uma fruta por 3 dias e depois, desse 3 dias de uma batata (mix salgado e doce + novas texturas). São 3 dias para você avaliar se a criança tem algum tipo de reação ao alimento. Então, sempre que entra um novo alimento, a gente repete ele por 3 dias sem misturar com outras coisas novas para ver se o bebe é alérgico. Foi assim que começamos. Banana e Batata Baroa (mandioquinha em alguns lugares do Brasil).

(O cadeirão é o Bon Appetit da Burigotto)

O segundo passo era repetir a tarde um dos alimentos já experimentados e pela manhã inserir um novo alimento (sempre por 3 dias). Na terceira semana, ela começou a almoçar legumes. Ou seja, mais alimentos novos. Na 4a semana, o almoço se mantém junto com o lanche da manhã e o lanche da tarde, mas tem um caldinho de carne extra que vai na comidinha do almoço. Na 5a semana, a gente começa a introduzir arroz e macarrão no almoço e depois o caldinho de feijão. Na 6a semana, ela começa a jantar e começamos a introduzir pedacinhos de carnes como músculo, rã e frango.

Sempre oferecemos a comidinha pra ela na mesa, sem brinquedos, com os alimentos separados no prato, para ela sentir o sabor de cada item que ela está experimentando e amassadinhos com o garfo. Nada é batido. Tudo tem pequenos pedacinhos.

(Brincando de comer a “casca” da maçã. Sempre que posso dou o alimento na mão dela.)

Vale lembrar que a comidinha dela não leva sal e é feita com gordura boa do azeite, e temperada com verdinhos variados (salsinha, cebolinha…) e alho e cebola. Tudo em pouca quantidade para não “contaminar” e deixar tudo com o mesmo gosto.

De líquido, somente água e leite materno/fórmula foram liberados, mas nunca junto com a comida. Sempre 30 min antes ou depois da refeição para não encher a barriguinha com água e não conseguir comer a comida depois.

Assim que temos feito. No início o salgado foi difícil, tivemos uma fase de adaptação e alguns dias de choro e refeições puladas. Assim tem funcionado com a gente. Não são todos os dias que são fáceis. Não são todos os dias que ela come tudo. Não são todo os dias que ela abre a boca pra colher sem reclamar. Mas ela está comendo, está engordando, está saudável… e é isso que importa.

Algumas dicas que acho que valem ser compartilhadas:

  • Se a criança rejeitar um alimento, não desista, espere alguns dias e tente novamente;
  • Se ela rejeitar uma refeição, não dê logo em seguida o leite. Dessa forma ela pode associar que quando ela não come alguma coisa ganha um leitinho;
  • Dê os alimentos separadamente para que ela conheça o sabor de cada um deles;
  • Amasse tudo. Evite bater e fazer sopinhas;
  • Coloque ela sempre no lugar aonde as refeições da casa são feitas para que ela entenda que aquele é o lugar de comer;
  • Evite brinquedinhos, ipads, celulares ou qualquer distração nesse início;
  • Dê uma colher para ela pegar e brincar, faça o mesmo com os alimentos (e sim, vai fazer a maior sujeira, mas isso é super saudável);
  • Não desanime. Esse início pode ser difícil e frustrante, mas depois vale a pena.

Lembrando que essa é a minha experiência com a introdução alimentar da minha filha, orientada pela minha médica. Não é todo mundo que faz assim, não é todo mundo que orienta desse jeito e tampouco é todo mundo que quer fazer da mesma forma que eu. Essa é a minha experiência. Por isso, se você vai começar a introdução alimentar do seu bebê, procure o seu médico e peça uma orientação.